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sexta-feira, 30 de abril de 2010

PE.JOSÉ ALVES SARAIVA // VIRGEM MÃE DE DEUS - " NINGUÉM VAI AO PAI SENÃO POR MIM" ( Jo.14,6 ) | semprevirgemmaededeus.spaceblog.com.br

JESUS, COM SUA RESSURREIÇÃO,FOI PREPARAR UMA ETERNIDADE FELIZ PARA NÓS.


Sexta Feira
4ª Semana da Páscoa
Jo.14,1-6

"Não se perturbe o vosso Coração - diz-nos hoje Jesus - tendes fé em Deus, tendes fé em Mim também".
Após a Crucifixão, os Discípulos de Jesus tinham todo direito de fugirem imediatamente e de se perturbarem com o fato de terem seguido um homem que no final foi de encontro com uma falência completa.

A Crucifixão de Jesus foi uma verdadeira falência humana, no entanto, Ressuscitado dos Mortos e Vencedor da Morte, Jesus proclama do alto da Glória estas palavras, não apenas a seus Discípulos, mas a nós também. "Não se perturbe o vosso Coração, tende fé em Deus, tende fé em Mim também".


A perturbação do Coração não faz outra coisa a não ser acrescentar sofrimento a sofrimento, um suplemento de confusão. Aquelas pessoas que confiam em Deus concretamente às vezes são provadas, chegam ao limite e podem perceber a tentação de se perturbarem. Podem imaginar que a própria confiança em Deus e em Cristo Ressuscitado está sendo colocada à duríssima prova e não sabe como dela se sairá.
No entanto Jesus nos garante a Sua presença. Se ninguém mais estivesse do nosso lado, se todos estivessem do lado oposto e engrossassem a oposição a nosso respeito, nem assim, se tivermos uma Fé profunda, deveríamos nos desanimar ou desencorajar, porque O Ressuscitado, O grande Vencedor, O único vencedor, está do nosso lado, e assim sendo, absolutamente nada pode nos separar do Seu Amor. Nem espada - como diz Paulo - nem a fome, a sede, a tribulação, sofrimento de espécie alguma, jamais estas coisas poderão separar-nos do Amor de Deus.

A perturbação retira de nós a confiança em Deus, a perturbação do Coração enche-nos de amargura, e no fundo a perturbação é sempre irmã gêmea da ansiedade. Estas duas coisas em nada se compõem com a nossa confiança em Deus.

De resto, neste mesmo texto, Jesus afirma que com Sua Ressurreição nos vai preparar um lugar, não como alguém que vai a um hotel preparar um quarto à um hospede, mas preparar-nos uma eternidade feliz, graças a sua Paixão, Morte e Ressurreição.
Com isto tenhamos confiança absoluta em Deus, não apenas nos momentos que vivemos com Céu azul, mas até naqueles em que, assustados, contemplamos nuvens escuras vindas ao nosso encontro.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

quinta-feira, 29 de abril de 2010

O LAVA-PÉS É TODO GESTO DE AMOR AOS IRMÃOS.


Quinta Feira
4ªSemana da Pásacoa
Jo.13,16-20

Tendo deixado a primeira parte do Evangelho de São João, o famoso livro dos sinais, entramos agora em sua segunda parte, o livro da glória. Este se abre com a cena inesquecível do lava-pés. No entanto, este texto foi solenemente proclamado pela Igreja na noite de quinta-feira Santa, quando se iniciava a celebração do tríduo pascal na Missa da Ceia do Senhor. Nós o saltamos e contemplamos Jesus que, após este gesto retoma o Seu manto e volta para o Seu lugar.

“Compreendei o que vos fiz”, diz-nos o texto de hoje, “vós Me chamais Senhor e Mestre - e fazeis bem - porque Eu o sou. Se Eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros, e sereis felizes se praticardes estas coisas”.

O lava-pés não é uma cerimônia folclórica a ser representada de maneira mais ou menos teatral na Missa de quinta-feira à noite. O Lava-pés deve estar sempre presente na Igreja - devem lavar os pés de todos, em primeiro lugar, os Ministros do Senhor, os Sacerdotes do Senhor. Cada vez que nós exercemos com fidelidade e dedicação o nosso Ministério, sem busca de outro interesse a não ser o verdadeiro interesse daquela pessoa, nós lhe lavamos os pés.

O Ministério Sacerdotal é - para os Sacerdotes santos e que desejam traduzir o exemplo de Jesus - uma realidade de todo dia. Cada dia podemos lavar os pés de algumas pessoas – e  não apenas nós, Sacerdotes. Nosso ministério pode perfeitamente ser chamado o Ministério do Lava-pés, pois estamos sempre e somente a serviço do Povo fiel. Mas este Povo fiel, por sua vez, pode também buscar o exemplo de Jesus e começar hoje, já em família, na profissão, entre amigos e com quaisquer pessoas que Deus lhe colocar à frente, a lavar-lhes os pés.

Não somos chamados a ser servidos, mas a Servir, e serão felizes aqueles que descobrirem, através da Pregação deste texto evangélico, que sua Missão deve ser fielmente cumprida e será consumada no serviço.

Você pode escolher a maneira apropriada de servir a Comunidade, de servir algum irmão, de servir a Igreja - em poucas palavras - de servir Jesus em cada uma destas pessoas. Você pode hoje continuar o Lava-pés de Cristo, servindo um determinado irmão.

Lembre-se sempre da expressão de Jesus: “O que fizestes ao menor deles, a Mim o fizestes”.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

quarta-feira, 28 de abril de 2010

JESUS SE HUMILHA, POR TODA A VIDA, PARA NOS MOSTRAR O PAI ETERNO.


Quarta Feira
4ª Semana da Páscoa
Jo.12,44-50


”Quem crê em Mim não crê em Mim, mas Naquele que Me enviou”. Não é esta expressão apenas um trocadilho colocado na boca de Jesus, que Se humilha, não Se impõe a Si mesmo. Jesus esvaziou-Se a Vida inteira, para nos mostrar o Pai. Sua finalidade era apenas interessar-nos no Pai.

Hoje, nós conhecemos o Mistério trinitário de um único Deus em três Pessoas, e a característica deste Mistério cristão é esta: cada Pessoa nos revela outra Pessoa divina. O Pai revela-nos Jesus, Jesus revela-nos o Pai e revela-nos também o Seu Espírito Santo, que, por Sua vez, revela-nos ao mesmo tempo Jesus e o Pai.

Se quisermos imitar o Cristo de alguma maneira, procuremos esvaziar-nos de nós mesmos - estas palavras são atuais e penetrantes, sobretudo àqueles que têm na Igreja a função de pregar, a função de transmitir a outros de mil maneiras diferentes a Revelação de Deus.

Quanto mais se esvaziarem de si, quanto menos falarem de si mesmos, quanto mais humildes e modestos forem, mais apontarão aos Cristãos o verdadeiro rosto de Jesus, juntamente com o verdadeiro rosto do Pai.

Estes todos prestam um grande serviço - são apenas Servidores, são os amigos do Esposo e não podem assumir o lugar do Esposo – a sua função é unir a comunidade - e cada membro pessoalmente - a Jesus e ao Pai no Espírito Santo, através da Palavra e dos Sacramentos que administram.

Hoje, gostaríamos uma vez mais de trazer no nosso Coração e nas nossas Preces os nossos Sacerdotes. Estamos no final de um ano Sacerdotal e, infelizmente, vivemos momentos sombrios na Igreja - nenhum de nós deixe de oferecer orações e preces a Deus por estes Servidores.

Que eles se esvaziem sempre de si, que possuam pureza de intenção, e que, de maneira desinteressada, aproximem cada um dos membros da comunidade do próprio Cristo - aí está a sua Vocação e aí está também o sucesso da sua Missão.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

terça-feira, 27 de abril de 2010

JESUS É O MELHOR ALTAR E A MELHOR FESTA QUE CELEBRA A GLÓRIA DO PAI ETERNO.


Terça Feira
4ª Semana da Páscoa
Jo.10,22-30


Este Evangelho de São João, que contém o texto de Jesus auto revelando-se como Bom Pastor, situa-se entre a festa das Tendas e a festa da Dedicação do Templo celebradas pelos judeus, época que equivale à metade do nosso mês de dezembro.

Jesus, na festa das Tendas, auto revela-se como Luz do mundo e como o Pastor verdadeiro. Por ocasião da celebração da Dedicação do Templo, auto revela-se como Aquele a quem o Pai consagrou e enviou ao mundo.

Na verdade, esta manifestação de Jesus na primeira parte do quarto Evangelho é chamada substituição. Jesus substitui, nesta primeira parte, uma a uma as festividades judaicas.

De inicio, substitui a velha Água dos Judeus usada em suas purificações pelo Vinho messiânico novo que é a Sua Revelação. A seguir substitui o Velho Sábado judeu por algo mais precioso para nós, relativizando: “Meu Pai trabalha sempre, inclusive aos sábados, e Eu também. Mas, acrescenta, o Pai dá a Vida e dá ao Filho o poder de dar a Vida também”, ou seja, até mesmo no sábado - dia de repouso por excelência dos Judeus - o Pai está atento em conceder a Seus filhos a Vida Eterna e em dar a Jesus o poder de conceder Ele também a mesma Vida.

Jesus modifica o velho maná que comeram os Pais na geração do êxodo, oferecendo em troca Seu Corpo e Seu Sangue como alimento nosso. “Não foram os vossos pais que comeram o Pão do céu, o Pão é aquele que Meu Pai vos dá.”

Por ocasião da festa das Tendas, quando se suplicava a Água da chuva para regar e fertilizar a terra árida de Israel, Jesus nos diz que aquela súplica foi escutada por Deus de maneira inaudita: “Quem tiver sede venha a Mim e beba”. Do interior de Jesus jorrarão rios de Água Viva - Ele falava do Espírito que hão de receber aqueles que Nele crescem. Agora, por ocasião da festa da Dedicação, fala-nos a respeito do verdadeiro Altar consagrado que é Ele mesmo.

Todo Evangelho de São João em sua primeira parte é o livro das substituições. Uma a uma, as festividades judaicas são substituídas por algo melhor e intimamente relacionado com Jesus, e é com grande alegria e gratidão que nós recebemos diariamente - na liturgia e na vida - este algo melhor que Ele deseja nos comunicar. (*)
c / f Padre Fernando C. Cardoso

segunda-feira, 26 de abril de 2010

UMA BOA PALAVRA PODE SAIR DE UMA PESSOA NÃO CORRETA.


Segunda Feira
4ª Semana da Páscoa
Jo.10,1-10

Bem antes da figura do Bom Pastor existem o mercenário interessado e os lobos ferozes e vorazes. No texto de São João, o evangelista, parece ter em mira os fariseus de sua época. Nós podemos ler este texto com os óculos da modernidade.

Mercenários, maus ministros, sacerdotes que deixam a desejar, lamentavelmente sempre existiram na Igreja. Não é uma característica dos nossos tempos. No entanto, duas coisas devem ser ditas.

Em primeiro lugar - e graças a Deus – eles não são maioria. Em segundo lugar, o Povo de Deus deve ter um discernimento - que é dom do Espírito - para distinguir no Sacerdote, no porta- voz, no Pregador, aquilo que vem de Deus, e aquilo que eventualmente não provém de Deus.

Os teólogos chamam a este sentido “sensus fidelium”, isto é, o sentido, ou a intuição dos fieis Cristãos. Em terceiro lugar - é preciso acrescentar ainda - pode uma boa palavra, uma boa orientação provir eventualmente de uma boca errada, de uma pessoa errada, e nem por isto o que ela diz se transforma em falso.

É claro, a Igreja garante o mínimo na vida ou na obra dos seus Ministros ou Pregadores; esse mínimo que a Igreja garante são a validade da Pregação e o uso de Ordens para que pregue. Não pode, evidentemente, a Igreja garantir o máximo, o sucesso apostólico, o sucesso daquela pregação, e é muito compreensível que boa parte destes sucessos dependam da transparência de Vida do pregador e de sua Santidade pessoal.

No entanto - repito uma vez mais - pelo menos para espíritos mais cultos e mais esclarecidos: um bom Sermão, uma boa Pregação, podem provir de uma pessoa que não seja transparente na sua Vida. Neste caso uma pessoa de Fé, que não confunde tudo, fica com aquilo que é bom e deixa de lado o que não presta.

Todos nós, nos dias que correm, somos mais do que convidados a Rezar pelos nossos Sacerdotes e pelos nossos Pregadores. Saibam todos que eles são homens como nós, mas na Santidade do Ministério Sacerdotal não se aceitam determinadas posturas. Repito, para terminar, ninguém atire a primeira pedra se se sente ele também pecador - somos todos pecadores e necessitados urgentemente da misericórdia de Deus.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

domingo, 25 de abril de 2010

“AS MINHAS OVELHAS ESCUTAM A MINHA VOZ”.



4ª DOMINGO DA PÁSCOA
Jo.10,27-30

Neste
quarto domingo da Páscoa, Jesus Ressuscitado Se apresenta à Sua Igreja nas vestes do Bom Pastor - e tem todo direito de realizá-lo, depois de ter atravessado o mar de Sua própria Paixão.

Todos nós necessitamos de um guia, de um orientador, de alguém que nos manifeste o sentido da vida e nos aponte um caminho seguro. Quem é capaz de se organizar plenamente na existência sem auxilio de quem quer que seja? Mas quantas são as pessoas que se propõem a ser guias, orientadores - quer no nível espiritual, quer no nível psicológico, mesmo da vida lá fora - sem o preparo necessário, sem as condições mínimas? E muitas vezes com interesses pessoais inconfessáveis, como acontece com diversos Políticos que mendigam os nossos votos com intenções não puras?

Jesus é o contrário de todos: Ele se deixa literalmente triturar na Paixão em nosso favor e só depois, num texto pós-pascal, Se apresenta a nós como o Bom Pastor. Primeiro dá a Vida, a seguir Se oferece a ser o nosso Condutor.

No texto de São João existe uma expressão que soa aparentemente de maneira não compreensiva: “As Minhas ovelhas escutam a Minha voz”, diz Jesus. Nós esperaríamos que fosse dito o contrário: “Todos aqueles que escutam a Minha voz, são Minhas ovelhas”. Mas não é isto que Jesus diz em João.

Minhas ovelhas escutam a Minha voz. Ou seja, existe uma precedência na pertença das ovelhas por parte de Jesus. A explicação seria esta: não é possível escutar diariamente a voz de Jesus, não é possível segui-Lo docilmente pela existência afora se não houver uma previa ação de Deus Pai que, no íntimo do Coração de cada um, o endereça docilmente a Jesus. A iniciativa é de Deus, e todos aqueles que o Pai tiver dado a Jesus, serão ovelhas Suas, e estas ovelhas escutarão a Sua voz.

Existiria - pergunta alguém - um determinismo nesta expressão? Eu diria que num Evangelho como o de João o determinismo não é a última palavra; no entanto, a iniciativa gratuita é sempre de Deus. Se alguém não se sente predestinado neste mundo até agora, eis o conselho que lhe dou: Faça tudo, enquanto há tempo, para que seja predestinado.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

sábado, 24 de abril de 2010

PELA COMUNHÃO, DA EUCARISTIA, NOS TORNAMOS MEMBROS VIVOS DE JESUS RESSUSCITADO.


Sábado
3ª Semana da Páscoa
Jo.6,60-69


“Estas palavras vos escandalizam?”
pergunta Jesus neste Evangelho aos doze e a Seus discípulos de maneira geral. São Pedro, porta-voz do grupo apostólico, responde-Lhe: “Senhor, a quem iremos?”

À primeira vista esta resposta de São Pedro soa como uma espécie de resignação, mas ele acrescenta logo a seguir: “Somente Tu tens palavras de Vida Eterna, e nós sabemos que és o Santo de Deus”.

O realismo eucarístico - juntamente com a afirmação da divindade de Jesus - escandalizou muitos judeus que num primeiro momento O seguiram. Estes abandonaram a Igreja; é fato que tomaram ao pé da letra as Palavras de Jesus, e nisto não estavam errados. Erraram, no entanto, na maneira grosseira de entendê-las. `

Não se trata, de forma alguma, de nenhum canibalismo. Jesus, Morto e Ressuscitado, teria o Seu Corpo e Sangue de tal maneira transformados em Glória pascal pelo Espírito Santo, que pode, agora, identificá-los como Pão e como Vinho. Em outras palavras, Ele tem todo o Poder agora de fazer desaparecer a substância do pão e do vinho para que sejam eles transformados em Si mesmo, isto é, no próprio Cristo que Se dá.

É fato que nós estamos unidos a Jesus Cristo, fisicamente, realmente, desde o nosso batismo – São Paulo nos afirma que, a partir de então, nós nos tornamos membros de Jesus Cristo. Uma vez mais Seu Corpo Ressuscitado agora apresenta uma figura difusa e é capaz de agregar os nossos diversos “eus” - estamos unidos a Cristo, e tudo que fazemos de bom - e menos bom - o realizamos no interior do Corpo de Cristo de quem somos membros.

No entanto, como necessitamos da Eucaristia, comungamos o Corpo imolado e o Sangue derramado. De fato, Cristo, que se dá a nós na Eucaristia, dá-se a nós no ato mesmo de Sua Redenção; dá-se a nós no Seu Sacrifício íntimo e através do Seu Sacrifício tornado atual na Eucaristia.

Ele sempre alimenta aquela outra presença batismal semelhante a si mesmo dentro de nós e que é suscetível de crescimento e de maior aprofundamento. Comunguemos sim, comunguemos frequentemente, mas comunguemos com piedade, com unção, e peçamos a Cristo que naqueles momentos fortes intensifique, aprofunde a nossa própria Vida interior e intima com Ele e com nossos irmãos.   (*)

 c  / f  Padre Fernando C. Cardoso

sexta-feira, 23 de abril de 2010

O CORPO E O SANGUE DE JESUS GLORIFICADO É O ALIMENTO DOS QUE CAMINHAM PARA A VIDA ETERNA.


3ª Semana da Páscoa
Jo.6,52-59

Eis-nos, no final do famoso discurso e revelador de Jesus a respeito do Pão da Vida. Nestes últimos versículos, Jesus se identifica com este Pão, melhor, este Pão é Sua Carne e Seu Sangue será também uma Bebida a ser tomada.

O evangelista Sã João, muito mais do que os outros sinópticos, insiste no realismo Eucarístico ao falar da Carne de Jesus, que deve ser mastigada por cada um de nós juntamente com Seu Sangue que deve ser bebido.

Este texto de São João tira a ambientação natural da Eucaristia na noite em que Jesus foi entregue. Se não tivéssemos o Evangelho de São João, todos nós ambientaríamos a Eucaristia na noite da entrega e da traição, isto é, na iminência de Sua Morte.

É possível então que a Eucarística fosse celebrada apenas naquele dia. Ao retirar este momento do seu lugar natural, o Evangelista São João prestou-nos um grande favor. A igreja tem o direito de celebrar a Eucaristia, não apenas na iminência da Morte de Jesus, ou na Semana Santa, mas ela fazê-lo durante todo o ano.

Com efeito, este texto é situado bem na metade do Ministério público de Jesus, ainda na Galiléia. Comer a Carne de Jesus, e beber o Seu Sangue, são expressões fortíssimas.

Foram estas expressões não atenuadas jamais, nem por Jesus, nem pela Sua Igreja, que levaram muitos Judeus Cristãos a deixar o Cristianismo e a abandonar o seguimento de Jesus.

Era realmente uma Palavra dura, e para quem reflete como nós , não deixa de ser uma Palavra dura também, e no entanto, Jesus se dá como Alimento a cada um de nós, na sua maior intimidade. Ele se dá na Sua Carne imolada e agora transfigurada, Ele se dá no Seu Sangue derramado e agora também transfigurado, Ele quer ser no momento exato da Paixão e Morte, transformada em glória e Ressurreição, alimento de todos nós que peregrinamos nesta vida rumo à Vida eterna.

A vida eterna será o encontro definitivo com Jesus, mas antes Ele mesmo se encarrega de nos alimentar com o Seu Corpo e com o Seu Sangue.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

SÓ PODEMOS CHEGAR A JESUS SE FORMOS INTERIORMENTE ATRAIDOS POR DEUS PAI.


Quinta Feira
3ª Semana da Páscoa
Jo.6,44-51

Ontem Jesus se apresentava a todos nós como Aquele que sacia uma fome misteriosa que carregamos dentro de nós e que nada neste mundo - sobretudo depois de muitas experiências feitas – pode satisfazer.

Existem uma Fome e uma Sede que vão muito além de tudo aquilo que, à primeira vista, queremos ou desejamos. Somos vítimas de nossas próprias ilusões porque, por primeiro, queremos, desejamos e depois fazemos a experiência de que o objeto dos nossos desejos não preencheu toda aquela capacidade, aquela potência, aquela fome de infinito que carregamos dentro de nós.

Jesus é para aqueles que crêem a única Pessoa capaz de nos satisfazer; no entanto, o texto que hoje temos diante dos olhos nos afirma que, para descobrirmos que Jesus é o encanto, o tesouro de nossas vidas, é preciso que Deus Pai nos atraia interiormente para Ele.

Ninguém vai ao Pai diretamente se o Pai não o atrai a Si. Aqueles que se deixam atrair pelo Pai são por Ele conduzidos a Jesus. Sem esta atração prévia não há possibilidade de encontrarmos em Jesus aquilo que tanto desejamos: o encanto da nossa existência, aquela pessoa que satisfaz e vai muito além de todos os nossos desejos.

Os teólogos posteriores e clássicos, falariam que nós estamos aqui diante do primado da Graça, e têm toda razão porque, se de um lado carregamos fome de infinito, por outro não somos capazes por nós mesmos de encontrar o alimento proporcional a esta fome.

Muitos há que buscam outros alimentos, outras fontes que não são o Cristo. Com o tempo eles farão a experiência da insuficiência daquilo que encontraram. Nós, no entanto, só poderemos detectar em Cristo o nosso tesouro se formos interiormente atraídos por Deus; porém, ninguém julgue que estamos aqui diante de um determinismo divino, que nada tem a ver com a nossa liberdade ou com a nossa responsabilidade.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

terça-feira, 20 de abril de 2010

JESUS É VERDADEIRAMENTE O PÃO DA VIDA ETERNA.


Quarta Feira.
3ª Semana da Páscoa
Jo.6,35-40

Na parte central do discurso a respeito do Pão da Vida, Jesus  manifesta a Si mesmo como este Pão. Ou se trata de uma pretensão descabida, ou estamos diante de uma Pessoa Divina e que fala com autoridade do próprio Deus.

Quem jamais pôde, no passado, se apresentar a todo e qualquer ser humano, como o seu alimento verdadeiro, o seu alimento último e definitivo? Jesus, despretensiosamente, apesar de suas origens humildes, apesar de ser por todos conhecido como um aldeão galileu, Filho de um carpinteiro, afirma ser o Pão que desce do céu, bem diferente do pão que os pais comeram no deserto.

Pão, Jesus o é primariamente na Sua doutrina, e os Judeus que conheciam suficientemente a literatura do Antigo Testamento - sobretudo, os livros sapienciais - estavam perfeitamente aptos a entender o que significa: Pão, como símbolo de uma doutrina, de uma revelação, de um ensinamento.

Jesus é primariamente Pão na Sua Palavra, na Sua revelação, e efetivamente, a Igreja sempre O apresenta, em primeiro lugar, capaz de nutrir a nossa fome através da Sua Palavra autorizada, através da Sagrada Escritura, que ela, Igreja, medita e aprofunda antes de ensinar a seus filhos.

Secundariamente, Jesus será Pão em Sua Eucaristia, mas, antes, é preciso que nós descubramos que Ele, Jesus, é um Pão que está cada dia ao nosso dispor e ao nosso alcance. Basta que alguém abra os livros da Sagrada Escritura com fome e sede de verdade - e de nelas encontrar orientação segura para esta Vida e para a Eternidade - e lá encontrará muito mais do que deseja e percebe como fome inicial.

Afirmo isto tudo porque tenho conhecimento de pessoas que vivem literalmente diante da Palavra de Deus, pessoas que se sentem seguras, fortes, robustas, porque não deixam um dia sequer de Meditar a Palavra da Sagrada Escritura.

Assim, pouco a pouco, dia após dia, Cristo vai entrando e penetrando na Vida até que esta pessoa sinta uma presença poderosa - muito mais poderosa do que a dela - no íntimo de sua própria existência, sem violentá-la, sem operar nenhuma destruição – é Cristo vivo no próprio Coração.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

BUSQUEMOS DEUS, SEM ARROGÂNCIA.


Terça Feira
3ª Semana da Pásdcoa
Jo.6,30-35


Os Judeus se aproximam de Jesus e fazem a pergunta clássica: “Que sinal realizas para que creiamos em Ti?” É o tipo da pergunta que colocam nos lábios as pessoas que não estão inicialmente dispostas a crer e a receber os sinais de Deus, sem pretender indicá-los pessoalmente.

Nossos pais comeram o Maná no deserto, como está escrito, “deu-lhes o Pão do céu a comer”. Na verdade, o Maná não era um Pão do céu - no texto bíblico podemos afirmar que foi um pão providencial, quem sabe uma resina, ou uma secreção de insetos capaz de nutrir as pessoas durante algum tempo. De forma alguma era um Pão divino; no entanto, uma tradição posterior idealizou este maná que, depois de certo tempo, havia sido criticado pela própria geração daqueles que saíram do Egito. De qualquer forma, o Sinal de Deus, o Pão do céu, não foi o que imaginavam.

Jesus endereça os Corações e as Mentes daqueles que o interrogam para outra realidade: Deus não é insensível, não é desumano, sabe perfeitamente de que temos fome e sede, de que temos necessidade na nossa vida física enquanto caminhamos neste mundo. Ele, na Sua Providência, prepara para Seus filhos, peregrinos da História, um Alimento que realmente os nutra interiormente. Deseja, no entanto, que não nos aproximemos Dele com arrogância - o texto deixa transparecer certa arrogância dos interlocutores de Jesus.

Existem maneiras de se buscar Deus - ou de iniciar colóquio com Deus - que não são as mais adequadas. Existe um modo pretensioso de querer ensinar Deus - no passado temos este texto; no presente, quantos são aqueles e aquelas que não se satisfazem com os sinais que oferece Deus, pretendem ir além, saber mais, ser mais profundos, desejam indicar a Deus qual o sinal que deveriam eles receber!

Examinemo-nos atentamente: qual a nossa atitude interior e a do nosso Coração no momento em que nos aproximamos de Deus, e o que está por detrás de certas interrogações, ou perguntas que Lhe formulamos. (*)

c / f Padre Fernando C.Cardoso

segunda-feira, 19 de abril de 2010

A FÉ É DOM DE DEUS EM NÓS; POR ELA PODEMOS FAZER O BEM.



Segunda Feira
2ª Semana da Páscoa
Jo.6,22-29

 
É preciso dizer que os escritores do Novo Testamento, no século primeiro, se viram às voltas, cada um a seu modo, com a questão das obras que nós devemos realizar com vistas à nossa Salvação.

Para o Judaísmo, anterior ao Cristianismo, tudo era claro: Deus havia ordenado a Moisés aquilo que os Israelitas deveriam realizar. De posse e conhecimento destes mandamentos eles, por sua iniciativa, caminhavam no bem e, desta feita, se tornavam credores da Vida eterna.

No Cristianismo as coisas se passaram diferentemente. São Paulo, por primeiro, ao que tudo indica, levantou esta bandeira, afirmando o primado da Fé sobre as obras. “Nós dizemos - escreve ele - que o homem é justificado diante de Deus não em base às suas obras, mas por causa de sua Fé”. Enquanto São Tiago, numa outra perspectiva, afirma que a Fé sem as obras é improdutiva, morta, o evangelista São João - que lemos neste Tempo Pascal - dá o seu contributo a esta questão que agitou o Cristianismo das origens: na verdade se trata de realizar obras, melhor, uma única obra - o evangelista identifica a fé com a única obra que Deus espera de cada um de nós - e esta contribuição de São João é uma contribuição feliz, porque a Fé é o ponto de partida para o crescimento numa Vida de virtudes e de intimidade com Deus.

A Fé é obra de Deus em nós, e não obra nossa, nenhum de nós busca a Fé e a obtém com seus próprios meios e por sua própria iniciativa - ela não é uma virtude moral que se conquista com esforço, perseverança, temperança, castidade. Ou Deus ilumina a mente do ser humano e ela se abre às realidades que escapam à nossa visão material, ou simplesmente não possuímos a Fé. Ninguém se pode outorgar a luz da Fé, ela é obra de Deus; porém, uma vez presente esta luz, nós podemos realizar aquilo que agrada a Deus.

Este foi o contributo do nosso evangelista. A única obra que Deus quer ver é a Sua obra, mas não às custas de nos dispensar de qualquer sacrifício, renúncia ou opção. É obra divina a Fé que nós recebemos agradecidamente com a nossa responsabilidade, a partir da qual caminhamos a passos seguros no cumprimento de Sua Vontade.   (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

sábado, 17 de abril de 2010

SEM JESUS TODO TRABALHO É ESTÉRIL.



3º DOMINGO DA PÁSCOA
Jo.21,19-19 ou 1-14

O apêndice do evangelho de São João, que neste terceiro domingo da Páscoa é proclamado, é um texto recente, no entanto contém, a meu ver, uma antiquíssima tradição de Aparição de Jesus Ressuscitado.

Simão volta a sua antiga profissão de pescador, com ele alguns sócios que também tinham sido companheiros de Jesus. Podemos imaginar o desânimo e a resignação com que retomam uma tarefa que parecia estar liquidada para sempre.

Simão e seus companheiros conduzem a barca para águas profundas, mas a barca mesmo conduzida por Simão e por seus companheiros, sem a presença de Jesus, é uma barca estéril, é uma barca que nada pesca, é uma barca que não se enche de peixes. Quando Jesus aparece às margens e ordena que lancem a rede novamente então sim, apanham uma quantidade enorme, cento e cinqüenta e três grandes peixes.

Jesus num momento seguinte interroga Pedro por três vezes: “Simão filho de João, tu me amas?” E por três vezes recebe a profissão de fé arrependida daquele que por três vezes O havia negado.

Recebe novamente o nome simbólico, Pedro, e desta feita se transforma no primeiro timoneiro da barca da Igreja, destinada a recolher não apenas 153 grandes peixes, isto era apenas o início e o simbolismo de uma pesca incontável, grandiosa que ainda não se terminou, porque esta rede, apesar de tantos contratempos, de tantas borrascas, de tantos quase naufrágios, não se cansa de tantos novos peixes.

São as conquistas que a Mãe Igreja consegue fazer ao longo de toda a sua história, apresentando esta colheita sempre nova ao Senhor Ressuscitado.

Gostaria de chamar a atenção para o simbolismo do número 153. Não se trata de um número mágico qualquer. O evangelista talvez com este número nos queira indicar que a Igreja quando nasceu com o Senhor Ressuscitado, sob a direção visível de Pedro, nasceu múltipla, pluralista.

Até os dias de hoje, todos têm lugar nesta rede. Existe lugar para os conservadores, para os avançados, para os ignorantes, para os intelectuais, para os grandes e para os pequenos.

Sim, o Cristianismo é multiforme, ele nasceu pluralista, ele não nasceu único. Todas as raças, as índoles, todas as civilizações, sem sacrificar o que de bom possuem, tem o seu lugar e podem se encontrar na rede de SãoPedro que as conduz à Salvação.   (*)
c / f Padre Fernando C. Cardoso