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O Tempo nos conduz a Deus

quarta-feira, 30 de junho de 2010

NINGUÉM SE COLOQUE DIANTE DE DEUS SEM DETESTAR SUA MISÉRIA.


Am.5,14-15.2124
Mt.8,28-34


Há espíritos extremamente críticos que pretendem ver nos antigos Profetas de Israel os predecessores distantes no tempo de uma completa abolição do culto litúrgico a Deus. Escrevem, ou dizem, que entre uma liturgia e uma vida moral e ética condizente com os Mandamentos, Deus prefere resolutamente a segunda alternativa.
 É uma meia verdade, mas as meias verdades são tão perniciosas quanto maior o núcleo de veracidade que encerram. É certo afirmar que Deus rejeita um culto mentiroso, feito apenas de amostras, de superficialidades, um culto que se reduz a belos cantos e cerimônias muito bem ensaiadas, sem que delas participe o Coração.

Deus quer o homem todo inteiro para Si, porém quando se pratica os Mandamentos, se vive na amizade com Deus, se procura agradar a Deus na vida social e no relacionamento dinâmico com os irmãos, Deus não rejeita o nosso culto.

É preciso fazer distinção entre esse Culto e o culto aparente, superficial, que não é a expressão de um Coração totalmente a Ele consagrado. Nós todos, de diversas maneiras, procuramos a Deus através da nossa participação na Eucaristia e da nossa Oração. Participamos de ações litúrgicas e vivemos o ano Litúrgico.

Nada disto é contrário a Deus, desde que toda esta participação seja íntegra e provenha de um Coração puro e transparente. Nada disto é reprovável, desde que a vida moral e ética não seja objeto de censura.

O que Deus detesta é o divórcio entre a moral - ou a ética pessoal e social - e a Vida litúrgica. Porém, quando tudo vai bem e quando estas duas realidades se associam harmonicamente dentro de um Coração, este culto que oferecemos no Espírito Santo, através de Jesus Cristo, é um culto agradável aos Seus olhos.

Examine-se bem antes de iniciar um ato litúrgico qualquer. É por este motivo que a Igreja convida seus filhos a um ato penitencial comunitário antes de se iniciar a celebração propriamente dita.

Ninguém pode se colocar diante de Deus, sem se recordar de sua miséria e de sua indignidade, sem se arrepender do mal com que ofende a Deus. (*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

terça-feira, 29 de junho de 2010

DEUS NÃO ACEITA, AO MESMO TEMPO, O DESRESPEITO E O LOVOR AO SEU SANTO NOME.


13ª SEMANA T. COMUM
 Am.3,1-8;4,11-12
O profeta Amós hoje faz uma afirmação elogiosa a Israel: “Dentre todos os povos da terra, Deus os escolhera como o Seu Povo particularmente devotado”. No entanto, tira desta afirmação uma conclusão surpreendente e inesperada: assim como foram o Povo mais querido da face da Terra, assim como aqueles israelitas gozaram dos privilégios de Deus, serão os primeiros a experimentar a Sua severidade, porque Ele não aceita a escolha do culto e ao mesmo tempo da iniqüidade, sobretudo quando se trata de injustiça social.

Divórcio entre culto e Vida social não é uma realidade apenas da época profética ou bíblica. Este divórcio entre culto e vida ética ou moral acontece nos dias de hoje também. Todos aqueles que pretendem cultuar a Deus de alguma maneira, como na Eucaristia dominical, mas não observam os Seus mandamentos, separam o culto da própria vida. Afirmam que uma coisa é o louvor a Deus, outra coisa são os negócios - Deus não os aceita, Ele os rejeita. Ele os rejeita uma vez mais porque este é um culto mentiroso, esta é, efetivamente, uma tentativa de suborno a Deus. Roubar, oprimir, matar, desrespeitar e depois vir oferecer o louvor a Deus, o culto esmerado da Eucaristia, é uma tentativa de suborno, é querer oferecer a Deus um falso presente.

Existem, lamentavelmente, dentro do Cristianismo, pessoas que não percebem o abismo entre sua Vida moral e sua Vida religiosa, e pessoas que se apresentam diante de Deus despudoradamente, pessoas que estariam mais bem vistas fora da Igreja, do que dentro dela.

Por exemplo, os mafiosos e os chefes de cartéis de tráfico de drogas que, de quando em quando, oferecem generosamente presentes à Igreja. Ela deve resolutamente rejeitar todo este tipo de presente e, sobretudo, este tipo de compromisso, porque estas pessoas são detestadas por Deus, enquanto persistirem neste divórcio e não buscarem sinceramente uma conversão do Coração.

Deus as rejeita do modo mais radical possível.(*)
c / f Padre Fernando C. Cardoso

segunda-feira, 28 de junho de 2010

CAPITALISTAS FINGEM GENEROSIDADE AOS MINISTROS DA IGREJA.


Segunda Freira
13ª SEMANA T> COMUM
Am.2,6-10.13-16

O Profeta Amós, cujo livro hoje iniciamos, trabalhou e profetizou em Israel, durante o longo reinado de Jeroboão II, entre os anos de 780 e 740 AC. A atividade deste profeta se coloca no final deste longo reinado.

Foi um período muito próspero do ponto de vista econômico, mas lamentavelmente deficitário do lado religioso. Ao que tudo indica, bem estar material, luxo e progresso não combinam com uma Vida espiritual qualitativamente elevada.

O Profeta Amós, em Betel, se lamenta profundamente por um pobre ter sido trocado, ou vendido, por um par de sandálias. Um ser humano valer menos que um par de sandálias é escandaloso, indigno e falta ao respeito para com Deus.

Havia escravidão, e a pior escravidão que se pode imaginar em todos os tempos é a escravidão que parte de um Coração egoísta, fechado, insensível, um Coração que busca apenas o seu bem estar e não olha as necessidades daquele que oprime.

Mais uma vez podemos imaginar que estas são cenas dantescas, relegadas ao passado, mas, por desgraça, a opressão e os diversos tipos de escravidão moderna se sucedem lamentavelmente na sociedade de hoje.

São Paulo, na Primeira Carta a Timóteo, afirma que aqueles que querem enriquecer desmesuradamente, que não vêem outra coisa a não ser o aumento de suas riquezas materiais, caminham aceleradamente para a sua desgraça e perdição. São essas pessoas as que normalmente oprimem de mil maneiras os seres humanos.

Como no tempo de Jeroboão II e Amós em Israel, existem as mais variadas opressões no mundo capitalista e na economia de mercado em que vivemos. Pior ainda é quando capitalistas buscam a Deus e oferecem bens materiais, fingindo generosidade aos ministros do culto e à própria Igreja.

Deus não recebe este tipo de pessoa e afasta qualquer oferta que não provenha da justiça e sobretudo de um Coração  caridoso.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

domingo, 27 de junho de 2010

SEGUIR JESUS ATÉ A MORTE, SE PRECISO FOR.


13º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Lc.9,51-62

Neste décimo terceiro Domingo do Tempo Comum Jesus, no Evangelho de São Lucas, ao saber que se aproximavam os dias em que seria elevado aos Céus, toma a firme decisão. São Lucas usa um verbo grego bastante forte: “Tornou o Seu rosto duro em direção a Jerusalém” - não se fala nem se escreve desta maneira em português, mas: tomou a decisão resoluta de marchar ao encontro da cidade de Sua Paixão, morte e ressurreição. “Não convém, diz Ele, que um Profeta morra fora de Jerusalém”.

Envia Seus discípulos à Sua frente, para que O anunciem de povoado em povoado. São Tiago e São João chegam a Samaría, mas os samaritanos não os querem receber cordialmente, porque Jesus se dirigia a Jerusalém, e samaritanos e judeus não se entendiam nem política nem religiosamente. Os dois perguntam a Jesus - bem no estilo de Elias no Antigo Testamento - se queria o Mestre que baixasse fogo dos céus a consumi-los. “Não, responde Jesus, não sabeis de que raça sois, não vim para destruir quem quer que seja”.

Encaminha-Se resolutamente à Sua Paixão, Morte e Ressurreição, para atrair, a partir da Cruz, e atrair com Amor. São Lucas nos mostra no texto deste Domingo que mal tomou Jesus esta decisão de subir resolutamente a Jerusalém, alguns candidatos se aproximaram e desejaram segui-Lo.

A um primeiro que se apresenta e se oferece, Jesus parece desencorajá-lo: “As raposas têm tocas, as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”. Jesus está tão dedicado ao plano de Deus que não tem outro escopo, outra meta a não ser realizar a Sua Vontade, onde quer que seja.

Outro candidato pede uma dilação no tempo: “Gostaria de enterrar meu Pai”. Jesus responde-lhe de maneira surpreendente: “Deixa que os mortos enterrem seus mortos”. Isto é, deixe que os mortos espirituais enterrem seus mortos corporais. “Tu, vem e anuncia o Reino de Deus”. A um terceiro que queria despedir-se de seus familiares, Jesus arremata: “Todo aquele que põe a mão no arado e se volta para trás não é digno da Minha companhia e não pode ser Meu discípulo”.

O que temos nós hoje a ver com estas Palavras de Jesus, diante da Paixão, Morte e Ressurreição que se insinuam no horizonte de Sua Vida? Jesus Se encaminha com aqueles que estão dispostos a tomar parte em Seu Mistério Pascal.

Ainda hoje podem ser Discípulos de Jesus apenas aqueles que tiverem prontidão absoluta e que estiverem dispostos a tudo deixar para segui-Lo até a Morte, se necessário for. A recompensa, a Vida Eterna não é prometida aos medíocres.

A Vida Eterna não é prêmio de mediocridade, ou para pessoas que preferem viver tranquilamente suas existências, dando a Deus o mínimo possível, desde que isto não as prejudique neste mundo.

Estes são afastados sistematicamente do convívio de Jesus, estes são mornos e Jesus não os aceita.(*)
c / f Padre Fernando C. Cardoso

sábado, 26 de junho de 2010

OS VERDADEIROS PROFETAS MERECEM SER OUVIDOS.


SÁBADO
12ª SEMANA DO TEMPO COMUM
Lm.2,2.10-14.18-19

Hoje nos pede a liturgia que tomemos um texto retirado do Livro das Lamentações. Este livro, tradicionalmente, foi atribuído a Jeremias, mas, provavelmente, não dever ter sido escrito por ele. Algum judeu anônimo o redigiu pouco depois da catástrofe que sobreveio a Jerusalém no verão de 587 AC. No texto encontrei um versículo que me chamou a atenção de imediato: “Vossos Profetas tiveram visões vãs e não alertaram o Povo a respeito da tragédia real que se estava para abater sobre eles”.

Os Profetas eram homens de Deus, mas havia um número considerável –acredito que a maioria fosse de falsos profetas – de profetas de corte, que recebiam dela seu estipêndio, e que profetizavam segundo o interesse do monarca. “Tudo vai bem, não há que temer coisa alguma, nós somos o Povo de Deus, Ele se encontra do nosso lado e nenhum mal nos sucederá”.

Foi exatamente o contrário. Aqueles que deveriam ser sentinelas e orientadores do Povo de Deus não estiveram à altura da sua posição. Profetizaram conforme seus interesses pessoais mais do que por terem recebido uma Palavra ou oráculo de Deus.

Possuímos em todas as épocas homens de Deus, que nem sempre falam o que gostaríamos de ouvir. Homens de Deus avisados, argutos, sagazes, capazes de ler nas entrelinhas, ou de individuar nos horizontes alguma ameaça e que nos revelam a tempo o que devemos fazer para evitá-las.

Nem sempre - por desgraça – são ouvidos por uma Sociedade que procura sempre o dinheiro, o prazer fácil a todo preço e se fecha num egoísmo maior. Estes homens alertam a Sociedade, são eles que realizam a verdadeira História. Captam, por assim dizer, os desígnios de Deus e apresentam-nos.

Depende de nós aceitarmos ou não. Depende de nós corrigirmos a tempo nossa Sociedade, nossa Civilização, nossa Igreja, para esperarmos tempos melhores e não tempos mais calamitosos.

Estas pessoas merecem todo respeito e merecem ser ouvidas enquanto há tempo.(*)
c / f  Padre Fernando C. Cardoso

sexta-feira, 25 de junho de 2010

NOSSA SOCIEDADE PAGA CARO POR SE AFASTAR CONSTANTEMENTE DE DEUS.


Sexta Feira
12ª SEMQANA  T. COMUM
2Rs.25,1-12

No Segundo Livro dos Reis vem narrada a destruição do Reino de Judá com sua capital, Jerusalém, em 587 Antes de Cristo: matanças, destruições, incêndios, o Santuário de Deus completamente arruinado.

Um juízo sobre tudo isto vem dado pelo redator final deste livro. Este juízo só pode ser negativo: “Estes males e calamidades aconteceram porque foram infiéis ao que Deus esperava de seu povo”.

Estas coisas para nós, modernos, parecem realidades de um mundo bárbaro que, graças a Deus, ficaram para traz. Não é verdade! Existe no mundo atual crueldade, desumanidade, concorrência desleal e, sobretudo, egoísmo por parte de muitos.

Quando uma Sociedade - ou a história - teima em alijar Deus do seu meio, esta escolha não fica sem consequências. Deus pode ser sempre mais esquecido, menos falado e, sobretudo, menos respeitado. É impressão ilusória que nós vivemos melhor assim, ou então que Ele não nos faz falta, pois, na medida exata em que afastamos Deus para longe das nossas Cidades, da nossa Sociedade, da nossa Cultura e Civilização, nesta mesma medida tudo fica mais desumano, cruel, impenetrável, misterioso, e a vida do homem mais ameaçada.

Esta é uma experiência que podemos fazer diariamente - sobretudo aqueles que vivem, como eu, num grande centro urbano como São Paulo. Deus não é manchete de jornal, não figura nas primeiras páginas das nossas revistas e não é objeto de investigação por parte das mídias; nem por isto a nossa cidade - e o que digo de São Paulo pode referir-se ao Brasil inteiro - se tornou melhor, nem por isto ela se tornou mais fraterna. Assistimos diariamente a barbaridades, não temos segurança alguma e o homem se torna cada dia o inimigo do próprio homem.

Este é o preço que a nossa Sociedade paga por ter afastado Deus do seu centro.
  
Repito: na mesma medida em que Ele é afastado, os males - que são conseqüência direta da Sua ausência - se fazem sentir. Sim, o que aconteceu com Jerusalém e com os judeus - em proporção maior, macroscópica - se repete nas nossas cidades sem Deus.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

quinta-feira, 24 de junho de 2010

NATIVIDADE DE SÃO JOÃO BATISTA.



24 DE JUNHO
Lc.1,5-17

Hoje, 24 de junho, nós celebramos o nascimento do Precursor de Jesus, São João Batista. Embora o texto proclamado na liturgia narre o seu nascimento, eu gostaria de chamar sua atenção para um comentário que dele fez Jesus já durante sua vida pública.

São João havia sido colocado na prisão por Herodes Antifas. Da prisão tinha enviado alguns mensageiros perguntar a Jesus se era Ele Aquele que deveria vir, ou se deveriam esperar outro. Jesus manda uma resposta indireta: “Os cegos vêem, os surdos ouvem, os paralíticos andam, os pobres são evangelizados - e uma nota bem particular a ele - bem aventurado aquele que não se escandalizar de Mim”.

Quando os enviados de João Batista se foram, Jesus põe-se a falar do precursor. “O que fostes ver no deserto?” E insinua três interrogações: “Um caniço agitado pelo vento, isto é um homem desorientado, incapaz de conduzir quem quer que fosse? Absolutamente! O que fostes ver no deserto?” continua Jesus: “Um homem elegantemente vestido? Mas aqueles que se vestem com elegância e luxo, não se encontram no deserto, e sim nos palácios reais. O que fostes ver no deserto? Um profeta? Sim! Eu vos digo, mais que um profeta. Dentre os nascidos de mulher, não houve maior do que João Batista. No entanto, o menor no Reino dos Céus é maior do que ele”.

Esta última afirmação de Jesus nos enche de espanto. “Dentre os nascidos de mulher, não houve maior do que João Batista” compreendemos, mas difícil compreender a segunda parte:
“o menor no Reino dos Céus é maior que ele”.

Não se trata, evidentemente, de uma grandeza moral superior a de João Batista, mas se trata de uma colocação qualitativamente superior num tempo distinto do de São João, que é do de Jesus. São João, com efeito, é a última voz pertencente ao Antigo Testamento. Com a vinda de Jesus inaugurava-se o Novo Testamento.

Nós somos daqueles que recebemos muito mais do que São João, por certo aspecto, nós somos maiores do que São João. Mais uma vez destaco, não se trata de uma superioridade moral, mas nós recebemos muito mais do que ele, que vivia na perplexidade de Jesus, até mesmo nos últimos dias de sua Vida.

A nosso respeito – diz Jesus – nós fomos muito mais aquinoados do que reis e profetas do Antigo Testamento, que desejaram ver o que nós vemos, ouvir o que ouvimos, e não alcançaram esta Graça.

Hoje, na solenidade de São João Batista, gostaríamos de perguntar: Mas é verdade mesmo que somos mais felizes, que somos mais aquinoados, sobretudo, que fazemos dos privilégios que possuímos através da Fé Cristã, privilégios que não foram concedidos se quer ao Precursor de Jesus?(*)

c / f Padre Fernando C. acardoso

quarta-feira, 23 de junho de 2010

OS VERDADEIROS PREGADORES DA PALAVRA DE DEUS.


Quarta Feira
12ª Semana T. Comum
Mt.7,15-20

“Acautelai-vos dos falsos profetas que vêm a vós com peles de ovelhas, mas por dentro são lobos ferozes”. É muito provável que na comunidade de São Mateus existissem Profetas e Missionários itinerantes, que transmitiam com maior ou menor sucesso a Doutrina de Jesus.  É possível que nelas se introduzissem falsos profetas; podemos imaginar estes falsos profetas vindos primeiramente da ala do judaísmo, isto é, judeus não convertidos, tentando semear a confusão no meio de judeus cristãos e pagãos cristãos.

Mas São Mateus não se limita a estigmatizar simplesmente eventuais judeus que semeavam confusão, pois existiam também Cristãos que, desde dentro, transmitiam doutrinas heterodoxas, ou então - o que é pior - transmitiam algo de maneira contraditória. Tomavam a Palavra de Deus e a giravam como bem entendiam.  Recebiam a Palavra de Deus e a transformavam no veneno de suas próprias visões ou ambições. A respeito destes, São Mateus é bastante severo:  “Estes são os lobos que vêm com peles de ovelhas, que se introduzem no meio cristão”. Seu comportamento é extremamente nocivo, porém existe uma maneira de separar o joio do trigo. 

Quem é o verdadeiro Pregador?  Aquele que prega realmente a Palavra de Deus, que a prega na sua pureza integral, que não a atraiçoa, e somente aquele que a vive coerentemente. São  Mateus convida seus ouvintes e seus leitores a olharem o estilo de Vida dos Pregadores itinerantes, e hoje podemos trazer para nós, facilmente, esta orientação do Evangelista.

Olhemos nossos Pregadores, olhemos o seu testemunho de Vida, o modo concreto como conduzem as próprias existências.  São pessoas que se dedicam inteiramente ao Evangelho, que não se enriquecem à custa dele, são pessoas ricas apenas de Deus e não de bens materiais?.  O que estas pessoas, na verdade, buscam ao transmitir a Palavra de Deus? 

Através dos frutos, isto é, através da coerência ou através da incoerência pode-se chegar a determinar se são realmente Pregadores cheios do Espírito Santo ou se são falsos pregadores, que se servem da Palavra de Deus para outras finalidades, até mesmo iníquas como, por exemplo, o enriquecimento pessoal, acima de todo e qualquer propósito.

Os verdadeiros Pregadores da Palavra de Deus e os Apóstolos são os primeiros a dar o bom exemplo: foram pobres e lhes foi proibido carregar o que quer que fosse pela estrada - nem bastão, nem sacola e dinheiro algum.  Eles deviam confiar única e exclusivamente em Deus. 

Os verdadeiros pastores de hoje vivem uma Vida evangélica transparente - estes merecem ser ouvidos.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

terça-feira, 22 de junho de 2010

TRATAR COM SERIEDADE A PALAVRA DE DEUS.


Terça Feira
12ª SEMANA T. COMUM
Mt.7,6.12-14

Dá-nos o Evangelista São Mateus três conselhos preciosos no curto texto evangélico de hoje. Em primeiro lugar: “não lanceis as coisas santas aos cães”. Um versículo, na verdade, difícil de ser interpretado, que, provavelmente circulava avulsamente na tradição oral pré-evangélica e foi inserido neste lugar pelo Evangelista.

A respeito das coisas santas que não devem ser lançadas aos cães escreveu-se muita coisa e são muitas as opiniões.  Acredito que o contexto imediato favoreça o seguinte: não devemos dar este texto do Sermão da Montanha a pessoas despreparadas que não levem a sério e que zombem ou ridicularizem a Palavra de Deus.

Outras orientações foram também trazidas.  Durante a época das perseguições, esteve em vigência no Cristianismo do Império a norma do arcano, isto é, existem coisas tão sagradas no Cristianismo, que devem ser ditas em segredo, apenas a outros cristãos bem formados, para que não se corra o risco ou o perigo da profanação; assim, por exemplo, a Eucaristia. Quase não se falava neste sacramento, de medo de ser ele mal interpretado e depois profanado pelos infiéis.  

Hoje o Cristianismo se tornou um fenômeno mundial, é impossível manter o segredo do arcano e, no entanto, este primeiro conselho de Jesus nos exorta a sermos realistas.  Nem tudo deve ser dito a todos num único momento.  Existem pessoas preparadas e dóceis para receber a mensagem do Evangelho, mas, sendo realistas e prudentes como serpentes, existem momentos de se calar, porque, infelizmente, naquele instante a palavra de Deus poderá não ser bem recebida, melhor, ela será rejeitada determinantemente. 

Em segundo lugar, a regra de ouro: “Tudo que quereis que os outros vos façam, fazei-o vós também a eles”. 

Finalmente, um conselho sapiencial: “Entrai pela porta estreita”.  Já eram de conhecimento bíblico dois caminhos: um que conduz à perdição, largo, espaçoso, atraente, e um que conduz à Vida, estreito e pouco chamativo. É preciso ser prudente e entrar por este caminho, porque aquele - por onde entram multidões - não leva a lugar nenhum, melhor, conduz, sim, à perdição. 

Não é verdade que um caminho - ou uma porta estreita - dê para um caminho sempre mais estreito; também não é verdade que uma porta larga dê para jardins encantadores e sempre mais espaçosos, pelo contrário, neste último caso, à medida que se caminha, tudo se vai estreitando até chegar num beco sem saída.(*)

c/f  Padre Fernando C. Cardoso

segunda-feira, 21 de junho de 2010

" NÃO JULGUEIS E NÃO SEREIS JULGADOS ".


21 de Junho
Segunda Feira
Mt.7,1-5

“Não julgueis e não sereis julgados; com a mesma medida com que julgardes os demais, sereis vós também julgados por Deus.” Este é um texto que necessita ser explicado.

É evidente que pais devem julgar as ações de seus filhos, professores devem julgar o bom aproveitamento ou não de seus alunos, qualquer juiz no tribunal deve julgar e sentenciar condenando o mal e absolvendo o inocente. Todos nós, de uma forma ou de outra, julgamos, mas não é disto que trata o texto que temos hoje diante dos olhos. Não é deste julgamento que ele nos fala.  Ele se refere a outro julgamento: não podemos, em primeiro lugar, transformar-nos em consciências dos outros.  Em segundo lugar, nunca poderemos ditar uma condenação definitiva para quem quer que seja.  Por quê?  Porque a condenação definitiva compete apenas a Deus - não é da nossa alçada. 

Repito, não podemos nos substituir à consciência alheia. Mal conhecemos a nossa, não conhecemos o nosso inconsciente, ignoramos muitos dos motivos que nos levam a agir de uma maneira ou de outra, somos extremamente condicionados pelos nossos pré-conceitos.

Ora, se é difícil julgar as nossas ações, como julgar as dos demais? Um mal pode ser objetivamente praticado, sem que aquela pessoa, no entanto o tenha feito por má fé.  Com outras palavras, um mau objetivo pode eventualmente provir de uma Consciência que tenha agido em boa fé, embora tenha sido infeliz a sua escolha. De resto, não queremos condenar definitivamente ninguém, porque Deus não nos condenou ainda e porque desconhecemos o futuro, tanto dos outros, quanto nosso próprio - Deus nos deixa numa salutar incerteza. 

Para finalizar, nossos pecados são sempre os piores, são sempre os mais graves e isto por um motivo mais simples que valeria a pena meditar neste dia, aprofundar e ruminar.  Eles são os mais graves porque são os meus, são aqueles que me levarão ao julgamento de Deus.

Não serei julgado pelos pecados que outros cometeram, serei julgado por Deus pelas faltas que eu cometi. Então, o tempo perdido em condenar os demais deve ser recuperado num exame de consciência sincero e honesto, eventualmente numa liturgia penitencial, e num pedido sincero de perdão, batendo cada um em seu próprio peito e não no peito do seu vizinho.(*)

 c / f Padre Fernando C. Cardoso

domingo, 20 de junho de 2010

É PRECISO ESCOLHER:ESTE MUNDO OU A ETERNIDADE.


12º DOMINGO T.COMUM
Lc.9,18-24

Nesse décimo segundo domingo do Tempo Comum, o Evangelista procura responder a duas perguntas: quem é Jesus e quem é o discípulo de Jesus. A primeira pergunta vem respondida através da Confissão de Fé de Pedro: “Tu és o Santo de Deus, Tu és o Messias de Deus”. 

Jesus, imediatamente após receber essa resposta, fala de Seu futuro e do que O espera em Jerusalém: será preso, processado, condenado e executado – é preciso que o Filho do Homem sofra todas estas coisas. 

Esta necessidade deve ser vista, em primeiro lugar, como uma necessidade humana e não divina.  São os homens, na sua brutalidade e no seu ódio contra Jesus, que lhe estão preparando um final trágico, não Deus. Mas Deus pode aproveitar-se dos planos malévolos, egoístas, satânicos, dos homens para a realização de um designo de Salvação universal por parte de Seu Cristo.  E, sob esse aspecto, o dever passa a ser uma necessidade divina também. 

Logo após falar da sorte que O espera em Jerusalém, Jesus se volta não para os Doze, mas para toda a multidão; com Seu olhar perscrutador, Ele mira todos e cada um, e lhes dá a verdadeira identidade do cristão: “Aquele que quiser Me seguir, tome ele também a sua cruz”.

São Lucas acrescenta “a cruz de cada dia”, ou seja: o discípulo de Jesus é aquele que é capaz de carregar dia após dia o instrumento de sua própria execução. É aquele que vive radicalmente para o Evangelho de Jesus - ainda que isto lhe custe muito caro, que exija dele o impossível, ainda que tenha que perder a Vida presente.   

E Jesus é claro, explicito, e não admite sombra de dúvida: é preciso perder esta Vida, se for o caso - e muitos a perderam literalmente, são os mártires de todos os tempos - se não quisermos perder a Vida futura.

Há que se fazer uma escolha, e este é o Domingo da escolha.  Não devemos ser levianos e superficiais.  Devemos Rezar, pedir a Deus força e coragem para decidir e optar por aquilo que vale: este mundo ou a eternidade. (*)
c /f Padre Fernando C. Cardoso

sábado, 19 de junho de 2010

DEUS NOS DEU TUDO GRATUITAMENTE.


Sábado
11ª SEMANA T .COMUM
Mt.6,24-34


“Não vos preocupeis com o que ireis comer, com o que ireis beber, com o que ireis vestir.  Olhai as aves do céu, contemplai os lírios do campo: não trabalham, não ceifam e, no entanto, vos digo que vosso Pai Celeste cuida de todos eles.  Não valeis vós muito mais do que as aves dos céus?   Buscai o Reino de Deus e a sua justiça e tudo mais vos será dado por acréscimo”.

Eis um texto que, aparentemente, nos espanta.  Espanta a sociedade moderna e a civilização do trabalho.  Espanta aqueles que estão acostumados a buscar na Escritura a Palavra que nos orienta a comer o pão com o suor do nosso próprio rosto. Afinal, não está Jesus aqui exagerando?  Não é este um convite à ociosidade?  Não seria um quadro idílico com moldura ecologista ou naturalista?  Podemos viver realmente assim?

Jesus não faz neste texto apologia da ociosidade ou da despreocupação.  Não pode este texto ser jogado contra outros da própria Sagrada Escritura.  São Paulo nos diz que quem não quiser trabalhar, também deixe de comer.

O que este texto afirma tem, no entanto, profundo valor religioso.  Não é preciso preocupar-se em demasia, não é preciso preocupar-se à obsessão. Existem pessoas que tentam gerenciar a própria vida com preocupações e obsessões despropositadas e isto é um verdadeiro paradoxo, porque na verdade esta nossa existência foi nos dada gratuitamente.

Que fiz eu para existir?  O que fez você para existir?  Que soma pagamos nós para continuarmos a viver neste mundo? Tudo nos foi dado gratuitamente: por trás das preocupações econômicas, do dinheiro, das transações, das construções está a gratuidade. 

Deus nos deu o maior valor, isto é, a própria existência, gratuitamente; ela foi, é e continua a ser um presente, um dom Seu, e se isso não bastasse, nos orienta em direção à eternidade. 

Portanto, as preocupações terrestres, justas, boas e até necessárias não devem ir além de um certo limite e não podem, de qualquer maneira, ser um álibi para que as pessoas se esqueçam do essencial - a busca do Reino de Deus e a Sua justiça - e se convençam de que a Vida futura está por vir e é muito mais importante do que esta, diante da qual nós despendemos tantas energias.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso