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O Tempo nos conduz a Deus

quarta-feira, 7 de julho de 2010

DEUS NÃO QUER QUE SEJAMOS APRESSADOS.



Quarta Feira
14ª SEMANA T.COMUM
Mt.10,1-7

No Evangelho de São Mateus, Jesus hoje diz aos Seus discípulos – missionários primeiros – que não se devem dirigir a não ser às ovelhas que se perderam da casa de Israel. Em outras palavras, em um primeiro momento, a Missão é restrita aos limites pequenos do judaísmo da Antiguidade.

Jesus nunca deixou a terra de Israel para pregar a quem quer que fosse de outra nacionalidade que não a judaica. Apenas após Sua Morte e Ressurreição - neste mesmo Evangelho, último capítulo - Ele dá aos discípulos uma ordem universal: “Ide pelo mundo inteiro, anunciai o Evangelho a toda criatura; quem crer e for batizado será salvo. Batizai todos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e ensinai-os a ser Meus discípulos. Estarei convosco todos os dias, até a consumação dos séculos”.

É preciso que nos adentremos com humildade no Plano de Deus. Seu plano conhecia etapas que não deveriam ser queimadas. Era Vontade de Deus que Jesus se dirigisse em Vida às ovelhas da Casa de Israel, isto é, aos judeus. Jesus cumpriu com fidelidade o que o Pai Lhe havia proposto como desígnio.

Pregou muito menos do que São Paulo, que se dirigiu aos confins da Terra e terminou sua Missão em Roma. No entanto, Jesus é anunciado no mundo inteiro a partir de Sua Vitória sobre a Morte.

Gostaríamos de respeitar a graduação que, de quando em quando, Deus impõe às nossas atividades e às nossas vidas. Muitas vezes é difícil aceitar Seus desígnios. Ele não deseja saltos desmesurados e respeita, em primeiro lugar, a lentidão dos progressos da Sua Igreja, da Sua comunidade, e também os nossos.

Somos apressados, queremos muitas vezes queimar etapas, somos impacientes, queremos ver imediatamente os resultados e os frutos de uma Pregação que julgamos eficaz, sob todos os pontos de vista. A estes Cristãos, Deus hoje aconselha que se convertam humildemente ao Seu modo de agir. Ele sabe em que hora deve agir, como deve inspirar ao Seu povo os passos e os saltos necessários.

Deus é paciente e é capaz de esperar uma Vida inteira para obter um resultado pequeno. Com Sua paciência infinita, Ele não deseja que nenhum de nós O ponha a prova, exigindo resultados imediatos.

O Reino de Deus, a Fé, juntamente com a Esperança e o Amor, não são mensuráveis com nossas medidas humanas.(*)
c / f Padre Fernando C.Cardoso

terça-feira, 6 de julho de 2010

A MESSE É GRANDE; MAS OS OPERÁRIOS SÃO POUCOS.


Terça Feira
14ª SEMANA T. COMUM

Mt.9,32-38
Hoje aproximamo-nos do Evangelho de São Mateus. Vendo as multidões, Jesus sentiu compaixão, porque pareciam ovelhas sem pastor.  Disse aos discípulos: “A messe é grande, mas os operários são poucos. Rogai ao Dono da messe que mande mais operários à sua messe”.

Jesus recebeu do Pai doze homens dispostos a levar avante a Sua missão. A sucedê-los haveria uma multidão de pregadores, missionários, sacerdotes e colaboradores; no entanto, os operários ainda são poucos.

Se olharmos para a messe - sobretudo com olhares penetrantes - se olharmos para o continente asiático ou para o continente africano, existem pessoas – muitíssimas - que estão dispostas a receber a Fé evangélica; basta ter alguém que lhes leve o conhecimento de Jesus Cristo.

Os operários são poucos, a África pede insistentemente catequistas em maior número, e a mesma coisa acontece no continente asiático. Apesar de sermos minoria ainda nestes dois continentes, a Palavra de Deus não conhece limites, ela multiplica os Corações desejosos de recebê-la; porém, ela necessita, como no passado, de operários inteiramente consagrados ao serviço do Evangelho, até com perigo de vida pessoal, deixando as comodidades de onde se encontram, que se disponham a anunciar Jesus Cristo a estes irmãos.

Nossa primeira obrigação é seguir o conselho de Jesus: rezar, rezar diariamente, para que Deus continue a enviar pastores para a Sua messe, sacerdotes de acordo com o Coração de Cristo, inteiramente desinteressados, que não busquem - na Igreja e no ministério - maneiras de conduzirem a própria existência, sacerdotes que não sejam ávidos de lucros ou de cargos e titulações, enfim, sacerdotes que possuam unicamente o coração de Cristo.

Cada um pode, hoje, ser missionário na sua própria casa, através da Oração missionária e incessante. Deus escuta este pedido.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

segunda-feira, 5 de julho de 2010

SÓ DEUS TRANSFORMA CORAÇÕES DE PEDRA EM CORAÇÕES DE CARNE


Segunda Feira
14ª SEMANA T. COMUM
Os.8,4-7.11-13


O Profeta Oséias, que exerceu o seu Ministério nos últimos anos em que agonizava o Reino de Israel ou do Norte, entre 740 e 725 a.C., tem seu Livro lido na Igreja e apresentado hoje para nós.
O Profeta assim se exprime: “Cantarão no Vale de Acor cânticos de esperança. Eu transformarei – diz Deus – o Vale de Acor num vale de esperança”. Acor era uma localidade onde Israel, no passado, havia provocado Deus e havia recebido - de acordo com a literatura bíblica - um severíssimo castigo; mas o Profeta nos diz que Deus transformará o local do severíssimo castigo - chamado por isso mesmo Acor - em “Porta da Esperança”. Com outras palavras: o que não acontece conosco, dá-se com Deus.

Vejamos, por exemplo, um amor humano, o amor conjugal, que chega a uma intensidade ímpar; se vier, por razões diversas, a desmoronar, dificilmente se reconstrói novamente. Seria como uma flor belíssima que, ao receber o calor do sol, murchou. Era bela, mas agora não tem mais o brilho; a beleza já não existe e não se tem mais esperança de torná-la viva de novo.

Assim se passa com o amor humano e aqueles lares que já conheceram o desmoronamento de um Casamento sabem, por experiência própria, o que digo neste momento. Porém, isto não se passa com Deus. Deus é capaz de, após tudo arruinado ou desmoronado, recomeçar novamente, e recomeçar como se nada tivesse acontecido. Deus é capaz de reproduzir uma imagem belíssima em alguém destruído pelos próprios pecados. Deus é capaz, na Sua misericórdia, de levá-lo a participar intimamente do mistério pascal, da Morte e Ressurreição de Cristo; este alguém, a partir do próprio pecado, do próprio nada, da miséria mais profunda, pode refazer-se e tornar-se filho de Deus queridíssimo do Pai em Jesus Cristo. Repito: o que os homens não são capazes de fazer, Deus o faz, e este não é um milagre raro na comunidade dos filhos e filhas de Deus.

Se os confessionários pudessem falar, teríamos condições de perceber como Deus, na Sua misericórdia, transforma, profunda e radicalmente, corações de pedra em Corações de carne, totalmente entregues ao cumprimento da Sua vontade com alegria e a passos pressurosos em direção à Vida Eterna.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

sábado, 3 de julho de 2010

SÃO PEDRO E SÃO PAULO.



4 DE JULHO
14º DOMINGO DO TEMPO COMUM
Jo.21,15-19


A Igreja celebra hoje a solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo. Esta solenidade em Roma é celebrada no dia 29 de junho.
 São Pedro e São Paulo, duas figuras tão diferentes! São Paulo, culto; São Pedro, pescador. São Pedro, um discípulo da primeiríssima hora com Jesus. São Paulo nunca conheceu Jesus em vida. Os dois, embora judeus, eram diferentes quanto à educação, à cultura, à visão teológica que possuíram do mistério de Jesus Cristo e, no entanto, duas figuras tão diferentes são unidas pela Igreja numa mesma celebração. É que a Igreja de Roma - e nós com ela - vemos nestes dois Apóstolos o fundamento último da nossa Fé.

São Pedro recebeu a herança de Jesus Cristo e se tornou o líder mais importante da Comunidade cristã do primeiro século. São Paulo recebeu a incumbência de Cristo de se dirigir também aos pagãos. Enquanto São Pedro mantinha o Cristianismo nos meios judeus, São Paulo desbravava as florestas do Império, levando a mensagem de Jesus Cristo aos confins da Terra. Ambos, por meios diversos, como diz a liturgia de hoje, reuniram a única família de Deus e, irmanados pelo martírio, merecem de todos nós igual veneração.

Permitamo-nos hoje refletir também sobre nossa Igreja. Nossa Fé apostólica está relacionada com estas duas figuras históricas que conheceram Jesus, quer em vida, quer em uma aparição após a Ressurreição. A Igreja Católica tem-se mantido inalterada por dois mil anos. Podem falar dela o que quiserem, podem enumerar seus desacertos, seus pecados, suas misérias passadas e atuais, tudo o que houve dentro da Igreja no passado e há ainda no presente - como o Papa nos diz – e, apesar de tudo isto, vão-se os seus inimigos, vão-se os opositores, vão-se outras instituições, e ela permanece. Quando parece a muitos que ela está agonizando, ela Ressuscita das próprias cinzas, novamente disposta a viver.

Orgulhemo-nos de nossa Igreja, de nossa Fé; existem coisas erradas sim, coisas que não deveriam estar dentro, porque lixo se põe para fora. Orgulhemo-nos de ser Católicos. Nenhum de nós se envergonhe da sua própria fé, demos testemunho da nossa Igreja perante os demais e, sobretudo hoje, ofereçamos um testemunho de Amor a ela e à figura do Sucessor de Pedro, que é o Santo Papa.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

SÃO TOMÉ, APÓSTOLO.


3 de Julho
Jo.20,24-29
Hoje, com a Igreja, celebramos a festa de São Tomé. É verdade que dele não conhecemos nada além do Nome, no entanto a festa de um Apóstolo é sempre um momento privilegiado na nossa Celebração litúrgica anual.

São Tomé é aquele relembrado por São João por ocasião de uma aparição Pascal de Jesus Ressuscitado. Num primeiro momento recusou-se a crer, mas logo a seguir proferiu o ato de Fé mais profundo que o quarto Evangelho possui. Diante de Jesus, prostrado afirma: “Meu Senhor e meu Deus”.

A Fé é uma Virtude que Deus nos concede gratuitamente. A prova disto está em que muitas pessoas gostariam de ter Fé, mas até o presente momento não a tem. A Fé normalmente a recebemos com o nosso Batismo. É claro que ela deveria crescer e progredir em cada um de nós, no entanto ela não é objeto de trabalho de nossa parte.

Não somos nós os construtores da Fé e não somos nós que a fazemos crescer ou aprofundar em nós. É a Graça de Deus, é uma Virtude teologal, é uma luz que cada um de nós possui dentro e, através da qual, pode ler o invisível, e o plano, ou projeto, de Deus em Cristo, com relação à humanidade a respeito da Igreja e de cada um de nós.

É uma Luz pessoal; eu não posso emprestar a minha Fé a quem quer que seja. É uma Luz que se intensifica a medida da nossa generosidade com Deus, ou pode também ir diminuindo de intensidade à medida que optamos pela mediocridade, ou deixamos Deus de lado nas grandes decisões e nos grandes momentos na nossa existência.

Uma coisa deve ser dita: quem a acende é Deus. Nós temos sim o poder de apagá-la dentro dos nossos Corações. Não compete a nós, não é algo que esteja ao nosso alcance reacende-la novamente.

O Dom se transforma em tarefa. Se você possui além da luz solar, além da visão física deste mundo, uma luz que o faz enxergar além e, sobretudo o mundo invisível de Deus, em primeiro lugar agradeça, em segundo lugar tome cuidado para que esta chamazinha jamais se apague com as tempestades e as tribulações que podem acontecer na nossa vida.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso

sexta-feira, 2 de julho de 2010

CRESCER E AMADURECER PELA LEITURA DIRETA DA PALAVRA DE DEUS.


Eu hoje gostaria de fazer um parêntese diante das reflexões Bíblicas que tenho feito nestes últimos dias, para alertar o Povo católico a respeito do Primado que deve ter na Vida da Igreja e na Vida de cada um, a Palavra de Deus.

Durante mais de quatrocentos anos Ela esteve exilada, lamentavelmente, dos meios católicos. Desde a época da reforma protestante, até o Concílio Vaticano II, os católicos não costumavam buscar Alimento direto na Palavra de Deus.

Um dos mais fecundos frutos do Concílio Vaticano II, foi a reforma litúrgica e dentro dela o novo Lecionário que nos é apresentado. O Povo de Deus agora, contrariamente aos anos passados, tem o tesouro Bíblico da Palavra inspirada por Deus.

Ele pode ler praticamente toda Escritura num ciclo bienal e ferial e pode ouvir os três sinóticos evangelistas num ciclo dominical trienal.

Desde 1970 até os dias de hoje, multiplicaram-se muitos comentários, muitos textos homiléticos, sermões preparados, no entanto eu gostaria de sugerir àqueles que se acostumaram a meditação bíblica, como estas que fazemos, a tomarem a sério o texto direto da Palavra de Deus. Um comentário, por melhor que ele seja, não deve ser para nós um momento, ou uma ocasião de dispensa da Palavra de Deus.

Nenhum comentário dispensa a leitura direta do texto. É verdade, o texto não foi escrito diretamente a mim, ele foi escrito à minha Igreja, da qual sou parte neste momento como membro. Ele foi inspirado pelo Espírito Santo. O Espírito Santo inspirou diretamente aqueles que, muitos séculos atrás, compuseram estes textos, Antigo e Novo Testamento.

Porém se este mesmo Espírito que os assistiu à época que o texto era escrito, for invocado com toda confiança e fé por cada um de nós, Ele presidirá a nossa intelecção atual do texto e o transformará em alimento que podemos receber.

Atenção: não é suficiente apenas escutá-lo numa homilia dominical, se esta não for seguida de um momento pessoal de meditação. A Palavra de Deus seria comparada a uma semente de ótima qualidade que, no entanto ficou na superfície do terreno, não foi para dentro, vieram as aves do céu e as comeram.

Para que isso não aconteça em sua Vida, seria necessário que uma vez ouvida a Palavra de Deus, e o local mais próprio de proclamação é efetivamente a Liturgia, fosse posteriormente meditada, ruminada, em momentos mais ou menos prolongados de silêncio por cada um.

Ai sim se cresce, amadurece para com Deus.(*)
c / f Padre Fernando C. Cardoso

quinta-feira, 1 de julho de 2010

AMÓS, FIGURA DOS MISSIONÁRIOS DE HOJE.

Quinta Feira
13ª SEMANA T. COMUM
Am.7,10-17

Viveu uma vida agitada e atribulada o Profeta Amós. Certamente teve nostalgia dos tempos em que era um simples pastor e plantador de sicômoros na Judéia. Porém, sua vida modificou-se enormemente e suas desgraças se iniciaram a partir do momento em que começou a profetizar em Betel, um santuário situado na extremidade sul do Reino de Israel, na época de Jeroboão II.

Amós, com suas Pregações virulentas, agitava o Santuário de Betel. Incomodava os responsáveis pelo local e principalmente o Sacerdote Amazias, funcionário do rei. “Foge daqui, vidente - diz-lhe Amazias – volta para tua terra, Judá, profetiza lá e come lá o teu pão; aqui em Betel não mais profetizarás, porque este é o santuário do rei”. Em outras palavras, o rei não estava disposto a ouvir ameaças proféticas, viessem de quem viessem, e necessitava de funcionários dóceis, obedientes que profetizassem de acordo com seus interesses pessoais. Amós responde a Amazias que Jeroboão II não terminará bem e que ele próprio, Amazias, será desterrado e morrerá em país estrangeiro.

Homens de Deus que falam a verdade, doa a quem doer, são relativamente raros e, por isso, são normalmente detestados. Não precisamos procurar muito para encontrar exemplos e testemunhos em nossa sociedade atual.

Existem, no norte do Brasil, Missionários e Missionárias que clamam contra injustiças flagrantes, cruéis, cometidas por grandes fazendeiros e grileiros contra gente pobre, humilde, que não tem como se defender; não é raro recebermos a notícia de que um ou outro foi calado, eliminado, exatamente como fez Amazias nos tempos de Amós, no país de Israel; no entanto, aqueles que agem desta maneira não sabem o que os espera no futuro, ainda que contem com advogados poderosos e possam sorrir cinicamente diante das câmeras de televisão.

Ainda não se apresentaram, porém, diante do tribunal de Deus - lá receberão a sentença que merecem e não contarão mais com os poderosos para defendê-los a qualquer custo.(*)

c / f Padre Fernando C. Cardoso